quarta-feira, 1 de julho de 2009

A Lista.

Foi tudo muito rápido: alguém saiu correndo, como um rastro de luz que traspassa o ar e, de repente, desaparece. Não compreendi o que havia acontecido, simplesmente não compreendi.
Quando cheguei em casa, a porta marrom se abriu e, de lá, um homem veio até mim dizendo que a lista estava pronta. "Que lista?", eu perguntei. Mas, sem responder, ele desapareceu. Foi quando uma mulher, de cabelos loiros, apareceu para mim e disse para eu cumprir a missão. Então foi o que eu fiz: eu cumpri a missão.
O primeiro item da lista era: Doar. Mas doar o que? Roupas, livros, dinheiro? Eu não tinha a mínima ideia do que realmente significava aquilo.
Passei para o item seguinte: Amar. Eu amo, amo sim. Amo muitas coisas, algumas pessoas. Não muitas, talvez. Quase nenhuma, na verdade. Mas de qualquer modo eu amo e, portanto, essa é uma etapa que eu já posso considerar realizada.
Número três: Compreender. Ah, essa é mole. Compreensão é o que não me falta, afinal tenho muito conhecimento: já viajei pelo mundo todo, cursei os melhores colégios e universidades, frequentei os melhores meios que se pode frequentar. Eu definitivamente tenho a capacidade de compreender o mundo a minha volta.
Acabei desistindo daquela lista, me parecia uma bobagem. Então eu simplesmente a amassei e joguei no primeiro lixo que encontrei. Foi quando um rapaz apareceu na minha frente: ele tinha o rosto mais delicado que eu já havia visto, com seus olhos de céu na primavera, quando os passáros cantam felizes e voam entre as nuvens. Ele me olhava de um modo que me fazia estremecer, mas não encolher. Eu queria crescer, crescer com ele. 
Foi nesse momento que eu conheci o amor. Foi aí que entendi o que era esse sentimento, ou pelo menos o que as pessoas deviam sentir quando falavam dele. E foi também aí que eu me doei, eu doei meu coração a alguém mesmo antes de lhe conhecer, mas não antes de lhe compreender.