sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ele e ela.


Ele estava lá. Ela também estava, mas do outro lado. Ele se levantou. Ela continuou sentada.

Ele abriu a porta e foi embora. Assim, sem mais nem menos… ele saiu. Ela ficou lá, naquele banco comprido de madeira. Mas a galeria de arte já iria fechar, ela precisava ir embora.

Ele correu as ruas cansado, aflito, com os pensamentos a mil. Parecia estar cego, como se a lua não estivesse no céu para iluminar a noite.

Ela continuava lá, sentada naquele banco de madeira. De repente, sentiu uma mão em seu ombro. Virou o rosto em um sorriso de esperança, mas era apenas o segurança, dizendo que ela teria que ir embora.

Ele chega no calçadão da praia e senta no banco. Abaixa a cabeça, olha para o chão e ouve o barulho do mar.

Ela sai devagar pela rua, os pés arrastando nas pedras portuguesas. Vê o banco no calçadão da praia e se senta na ponta vazia. Olha para o mar e ouve o barulho das folhas secas arrastando no chão.

Eles estão lado a lado, mas não se falam. Nem ao menos se reconhecem. São os mesmos da galeria de arte.

Ela vira o rosto e o olha. Ele não corresponde. Seu olho cai para o chão.

Ele olha para ela. Ela não corresponde. Seu olhar fita o mar.

Ele se levanta. Pergunta: “Você vem?”

Ela, assustada, inclina o rosto em sua direção. “Você já está indo?”

Ele não responde, mas sorri e sai andando.

Ela não precisava de uma resposta, se levanta para lhe seguir.

Ele pára e a contempla.

Ela sorri.

Os dois estranhos se abraçam e andam pelo calçadão. Enquanto caminham, começam a contar as estrelas.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Um país de todos (?)

Era fim de tarde quando vi um cartaz onde estava escrito: Brasil, um país de todos. Tratava-se de uma propaganda governamental. Depois disso observei um mendigo jogado na esquina, uma criança sentindo fome, o lixo no chão, a falta de respeito, o palavrão, o ladrão, a correria, a gritaria, o arrastão, o medo,  agonia, o choro, a ausência, a indiferença. Ah, então é esse o país de todos? Engraçado, pois não parece ser...

Os livros me dizem que o Brasil é uma república, aquela cuja definição se dá pelas bonitas palavras: coisa pública, governo de interesse de todos. Ah, agora sim, que alívio! Isso quer dizer, então, que o meu país é dotado de igualdade entre os povos, sendo assim livre da pobreza, rejeição, criminalidade, corrupção, nepotismo, marginalidade e ... Ei, isso está certo? Por um acaso nós estamos falando do mesmo lugar? Acho que não, não vamos nos enganar.

Ser republicano é agir com responsabilidade social, é trabalhar para o desenvolvimento do país, é não deixar que o famoso “jeitinho de enrolar” brasileiro tome o lugar do caráter do nosso povo.

Na hora de dar desculpas, dedos não faltam para apontar os culpados. Mas e na hora de fazer a sua parte, assumir os deveres de cidadão, onde todos estão? Cadê esse povo que não quer aparecer? As pessoas têm que parar de se esconder. Se acomodar é muito fácil para um povo tão trabalhador, e digo trabalhador porque é o que somos, visto o tanto que já crescemos.

Agora eu pergunto: o que é melhor mudar, a definição da forma de governo ou a essência do lugar em que vivemos? Aposto que todos sabem dizer qual é a resposta correta.

Vamos mudar o nosso país. O Brasil pode ser um país de todos.  E quando isso acontecer eu vou pensar: “Engraçado, é esse o país que eu vi crescer”.