sexta-feira, 12 de março de 2010

(?)

- Papai, quantas estrelas existem no céu?
- Ah, meu filho... são infinitas! Nós não temos como descobrir!
- Temos sim, papai, é claro que temos! Você mesmo já me disse que pra tudo tem uma resposta...
- Mas eu disse aquilo em outra situação... Agora é diferente.
- Poxa papai, eu queria tanto descobrir!

E sai andando cabisbaixo. Um tempo depois volta para a sala, onde o pai está sentado no sofá lendo o jornal.

- Papai, você tem uma luneta?
- Acho que nós temos uma naquele armário dos fundos...
- Tá bom.

E lá foi o menino atrás da luneta. Chegando no ármario, viu aquele instrumento em baixo de um pano, um tanto empoeirado. Mas ele não ligou para a poeira, nem mesmo para as pequenas teias de aranha que também estavam lá. Apenas levantou o pano e falou:

- Fantástico!!!

Então, foi correndo para o jardim, carregando com uma certa dificuldade seu novo brinquedo. Após posicionar o equipamento de modo estratégico, voltou para a sala correndo e gritando para o seu pai:

- Pai, pai!! Vou contar as estrelas!!!
- Ah, meu filho! [risos] Se é isto mesmo o que você quer, vá em frente! 

E ele assim foi. Antes de aproximar o seu olho da lente, respirou fundo e observou mais uma vez a olho nu aquela imensidão de pontinhos brilhantes no céu escuro. Estava prestes a entrar em uma missão quase impossível! Seria ele capaz de realizar tal feito? Como seria a sua vida dali em diante? Ele seria feliz desta maneira? 
Nenhumas destas perguntas poderiam ser respondidas naquele instante, disso ele tinha certeza. Ainda olhando para aquele céu, viu uma estrela cadente! Seus olhos brilharam como nunca, um sorriso imenso tomou conta de seu rosto! E então, ele respirou fundo outra vez, agarrou a luneta, posicionou seu olho direito nela... e começou a contar:

- Um, dois, três, quatro, cinco, ...


A Flor

Na casa vazia ele entrou lentamente. Entrou, entrou e não viu nada. Depois foi embora. Foi embora e desapareceu.
Passou um tempo e ele voltou. Estava vazia de novo, mas desta vez ele resolveu arriscar: Foi bem fundo, em direção à algo totalmente incerto. Mas deu, deu certo.
Lá ele encontrou uma flor dourada e brilhante, lançando seus raios para todos os lados. Ele a pegou com carinho e cuidou como se fosse sua, como se fosse sua desde sempre e fosse ser pra sempre. Ele ficou ali com ela, parado em um canto e a fez sentir a flor mais feliz do mundo. Seus raios estavam renovados, radiantes e ainda mais brilhantes... Ela era, de fato, a flor mais feliz do mundo.
Mas com o fim da primavera toda flor tem que ir embora e, como de costume, ela foi. Ela foi e ele não. Por pouco suas pétalas não voltaram com o vento do verão para cair de novo em seus braços... Por pouco. Pois elas continuaram lá, firmes e fortes, rentes ao miolo.
Um dia, então, a primavera voltou... Ela sempre volta. Porém, quando a flor chegou ele já não estava mais lá. Ela o procurou, procurou por todos os lados... mas não teve jeito, não conseguiu tê-lo de volta.
Quem sabe na próxima primavera.
Quem sabe...