quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Cantando, assim.

Um menino, moleque. Uma menina, mulher.
Ele queria ser palhaço, artista, cantor de festival. Ela queria ser bailarina, queria ser mãe bem ou mal. Ela namorava o scarpin da vitrini, ele tomava uma Coca-Cola. Ele fazia versos, ela escrevia em prosa. Ele pixava o muro e ela brincava no jardim.

Estavam em direções opostas e se encontram no meio do caminho.

Ele pisca o olho, ela sorri.
Ele tenta olhar por baixo de sua saia. Ela finge que não vê. Ele gosta. Ela gosta.
Ele colhe uma rosa. Ela chuta as pedrinhas do chão do parque. Ele pula o muro em passos de balé. Ela lhe escreve um poema cheirando à Coca-Cola. Ele quebra a vitrini, ela já não quer o scarpin. Ele chora, ela o inscreve em um festival de manhã.

Debaixo da ponte, na cobertura, eles vão juntos.
Cantando, cantando...
Assim, assim...