terça-feira, 20 de setembro de 2011

curiosidade

fico curiosa em saber como é a sua casa, sua cama, seu jeito antes de dormir.
será que lê? será que vê um filme? será que conversa ao telefone uma conversa sem fim?
mas você odeia telefones e tecnologias. odeia o modo como as pessoas são frias e pouco gentis.
toda novidade é nova demais pra você. menos eu, que aqui estou e sou de seu interesse.
interesse, por assim dizer, do que me interessa. e o meu interesse é você.

domingo, 18 de setembro de 2011

sobre gosto

às vezes fico em dúvida
se gosto porque gosto
ou se gosto de gostar

porque gosto a gente tem
nem entende, mas tem

já o gosto do gosto
pode ser só admiração
uma vontade de gostar do que não gosta
(ou gosta)

quer saber? não sei
só sei que ando gostando


data: dia tal de 2009. ou 2010?

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Bom e ruim

A parte boa é que eu me sinto bem.
A ruim, é que posso estar errada.
E isso é um bom ponto. Ou um ruim.

De mentirinha


Sabe, o motivo de eu estar tão, tão entediada é justamente o fato de você ser tão, tão sem graça.

Parece um motivo justo, não? Afinal, para que serveriam todas as coisas divertidas do mundo se não fossem para nos fazerem sorrir?
Entenda só, é o que eu tento fazer. Digo, sorrir e apreciar essas coisas.

Já você, parece deixar passar tudo em vão. Assim, como se a vida fosse uma bolinha de poeira que voa e voa pelo espaço. Muito curioso isso tudo.

Se você soubesse como é fácil rir, riria mais comigo. Mas às vezes parece um esforço tão grande te fazer sorrir que eu até desisto de ensinar.

E veja só, eu, logo eu, que quase nunca desisto das coisas.

Pois é o que digo: é assim mesmo. Quase tão, tão entediante como ler um livro inteirinho só sobre a vida das amebas.
(E que perdoem-me os biólogos)

E então, o que pode-se dizer

Quando é muito, e grande, e incerto, e de repente vira uma outra vítima de certo atropelo por línguas e palavras, vindas todas de um suplício tão lindo como tolo.

Padre Antônio Viera

"Ora vede: Definindo S. Bernardo o amor fino, diz assim: Amor non quaerit causam, nec fructum: "O amor fino não busca causa nem fruto". Se amo, porque me amam, tem o amor causa; se amo, para que me amem, tem fruto: o amor fino não há de ter por quê nem para quê. Se amo por que me amam, é obrigação, faço o que devo; se amo para que me amem, é negociação, busco o que desejo. Pois como há de amar o amor para ser fino? Amo, quia amo, como ut amem: amo, porque amo, e amo para amar. Quem ama porque o amam, é agradecido; quem ama, para que o amem, é interesseiro; quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, esse só é fino."

sábado, 3 de setembro de 2011

Quente ou Gelado

Venha tomar um chá!
Acomode-se, puxe uma poltrona, coloque em sua xícara um bocado de açúcar para adoçar seus contos.
Se preferir quente, prepare-se para a aconchegante sensação do vapor da água tocando seu rosto. Se gelado, mergulhe mais umas boas pedrinhas de gelo e o pacote ficará completo.
Aproveite também para escolher um bom romance em minha prateleira: tenho de tudo um pouco ou um pouco de tudo.
Seja bem-vindo e curta sua estadia. Aproxime-se do mais novo salão de ervas aromáticas e sinta o prazer da boa vida.
Depois disso, até logo e volte sempre.
Espero sua cartinha em até dois dias.





Poema Bobinho (ou Folha de Papel)

Se eu soubesse desenhar
Pintaria o seu rosto assim do jeitinho que ele é
Suas bochechas talvez fossem nuvens
E seus olhos o céu, de tão azuis que são

Se eu soubesse desenhar
Talvez não estivesse nesse cantinho
Mas sim fazendo um curso de artista
E contribuindo com a minha imaginação

Mas como não sei desenhar
Fico aqui com algumas palavras
As minhas, as suas
As nossas palavrinhas de hortelã


E assim foi


No fundo ela sabia. No fundo ela sempre soube. No instante mesmo em que capturou a pedra, já pensava em quando iria perdê-la. As pedras, todos sabem, são fascinantes e muitas vezes preciosas. Aquela poderia ser uma pedra comum, ou poderia ser daquelas que quando observa-se com cuidado é que se pode ver seu valor.
Foi assim, um dia, que ela a encontrou: a pedra parecia pedir para que fosse retirada do meio da terra avermelhada, típica do sertão. A menina a pegou e guardou no bolso furado do velho macacão jeans. Conforme andava, sentia a pequena joia - como passou a chamá-la - balançando por dentro de sua roupa aquecida pelo sol da tarde. Gostava muito dessa sensação, gostava de como se sentia não mais tão sozinha e protegida, ainda que por algo que só ela sabia que estava ali.
A caminhada foi longa e no caminho as duas passaram por paisagens secas, mas também por lindos riachos de água corrente.
Quando chegou em casa, a pedra já não estava em seu bolso. Era provável que tivesse caído de novo na terra dura. Mas quem sabe, com um pouco de esperança, tenha ido apenas se refrescar naquele riacho de águas claras.