domingo, 5 de agosto de 2012

A última palavra


Hora da saída: crianças correm e professoras se arrumam. Minha mãe está atrás da grade que divide a rua da escolinha primária. Calma e sorridente, ela me espera.

Até ali, nada diferente. O destino é agora a quadra de ginástica olímpica. Lá, meninas mais velhas dão saltos na cama elástica, enquanto me exercito com as colegas da minha idade. O ambiente é de sonho, mas a mágica ainda está por vir.

No caminho de casa, reparo que há algo novo, além do ipê que enfeita o trajeto com flores amarelas: o sol estava alto.

"Será que fui liberada mais cedo?" pensei. O relógio me contrariava: marcava seis e meia da tarde com sol forte. Minha mãe, que sabe das coisas, esclareceu tudo. Foi quando descobri o horário de verão. Era a natureza, e não o relógio, que tinha a última palavra.